O cultivo de camarão coloca São Cristóvão entre os maiores nomes do estado, competindo com Barra dos Coqueiros, Aracaju, Nossa Senhora do Socorro, Pirambu, Estância entre outros locais. Com uma produção estimada em 10 toneladas por mês, a estimativa é que no município existam aproximadamente 700 viveiros funcionando. Parte da produção local é consumida no mercado sergipano (80%), enquanto o restante é enviado para Bahia e Alagoas – dois grandes mercados consumidores.

Do tipo vannamei (também conhecido como camarão-de-patas-brancas ou camarão-branco-do-pacífico), o crustáceo sancristovense tem em média de cinco a oito gramas (podendo atingir até 12 gramas), tamanho básico consumido diariamente em receitas gastronômicas caseiras. “Para ser comercializado, o camarão leva em média de 60 a 80 dias. Neste contexto, os viveiros de São Cristóvão produzem semanalmente, de acordo com a programação de cada pequeno produtor. Cada pesca, em cada viveiro, recolhe entre 50 e 70 quilos de vez, e assim colocamos o camarão num recipiente com gelo, preparando-o para a venda”, explicou o presidente da Associação dos Criadores de Camarão de São Cristóvão, Sandro Monteiro dos Santos (criador e proprietário de um laboratório de fecundação de ovos de camarão).

Produção laboratorial


Atualmente, em Sergipe, existem dois laboratórios de criação da espécie vannamei, sendo um em São Cristovão (sede) e outro no município da Barra dos Coqueiros. Investindo em outra vertente de trabalho, Sandro Monteiro dos Santos, vem comercializando a partir do ovo do animal. Comprando o produto (ovos) do Rio Grande do Norte e do Ceará, atualmente ele informa que abastece os produtores sancristovenses com camarão ainda em estágio inicial de vida. “Temos um laboratório que cultiva o camarão antes de eclodirem os ovos. Aqui conseguimos cultivá-lo e vendê-lo para os produtores de nossa cidade, o que facilitou o acesso ao produto, diminuindo os curtos de compra dos nossos pequenos produtores”, disse.

Cada mil larvas de camarão custa cerca de nove reais ao comerciante. E aproximadamente o estado absorve cerca de 60 milhões de larvas do animal por mês. Se alimentando de algas e ração, o crustáceo leva quase três meses para estar em fase de comercialização, o que requer organização e agendamento precisos para que não faltem larvas no mercado sergipano. “Hoje compramos os ovos de camarão de fora e esperamos eclodirem aqui em nosso laboratório. O nosso objetivo é abastecer o produtor local, mas às vezes isto não acontece e eles compram de fora ou do outro laboratório existente no estado. O produtor não espera, então estamos trabalhando com a ideia de começarmos a implantar a produção a partir da relação sexual e da fecundação do animal aqui mesmo em nosso município”, informou o biólogo Rosenilton Santos Coutinho, que trabalha no laboratório de reprodução/cultivo do camarão.

Viveiros

O camarão produzido em São Cristóvão recebe atenção especial nos viveiros sancristovenses. Segundo informações divulgadas pela Associação dos Criadores de Camarão de São Cristóvão, a alimentação do animal, dentro de cada viveiro, é uma preocupação constante da entidade e isto é repassado aos produtores. Estima-se que 70% da alimentação do animal seja natural (oriunda dos micro-organismos do próprio viveiro), sendo os 30% restantes compostos por farinha de peixe, soja, vitaminas e aditivos de crescimento.  

A carcinicultura sancristovense é responsável pela empregabilidade de aproximadamente 400 pessoas (direta e indiretamente) e assim vem ganhando ares de potencialidade no tocante às ideias (e investimentos) por parte dos produtores. Cada hectare produz entre 500 e 600 quilos (sendo que a expectativa do carcinicultor de São Cristóvão é que em breve se trabalhe com uma produção de 800 quilos por hectare).

Os antigos criadouros de peixe deram lugar ao camarão por ser mais rentável e de comercialização mais ágil. Produtor desde 2004, Alberto Silva dos Santos, enfatizou que nacionalmente o camarão ainda é cotado como ouro, e que por este motivo, o mercado de peixe que antes era preservado no município passou a praticamente inexistir. “Aqui se criava robalo, curimã e tainha, mas esse cultivo era complicado, pois demandava muito tempo até a venda do produto, daí o camarão passou a dominar o mercado. Tenho dez viveiros e me especializei na produção do camarão de cinco gramas, do qual consigo abastecer parte do mercado de comida baiana. Produzo constantemente tanto para o mercado sergipano quanto para exportar para a Bahia”, contou.

Apoio

De acordo com técnico em zootecnia da Secretaria Especial de Agricultura e Meio Ambiente (SEAMA) de São Cristovão, Thiago da Costa Passos, nos últimos meses os trabalhos do município estão voltados às visitações tanto dos carcinicultores quanto dos agricultores familiares, vendo as necessidades e procurando conhecer a situação de cada local. “Demos apoio ao curso sobre boas práticas de manejo e biossegurança, voltado aos produtores de camarão do município, num evento que respaldado pela Associação Brasileira de Criadores de Camarão e pela Associação dos Criadores de Camarão de São Cristóvão. Também pretendemos trazer um especialista em regularização de documentação para ajudarmos assim, através de consultoria, os criadores que ainda possuem viveiros irregulares dentro do município. Nossa intenção é colaborar para que este setor econômico de nossa cidade se fortaleça e cresça sempre mais”, frisou.

Nas próximas semanas, servidores da SEAMA estão visitando assentamentos e povoados sancristovenses. “A intenção da prefeitura, através da Secretaria Especial de Agricultura e Meio Ambiente é criar um assentamento modelo, onde vamos implantar e avaliar ações que serão disseminadas para os demais assentamentos do município”, informou Thiago.

Fotos: Danielle Pereira


Laboratório para criação do camarão
Sandro Monteiro dos Santos
Rosenilton Santos Coutinho
Alberto Silva dos Santos