A aposentada Maria José da Silva, moradora da rua Largo do Campo, na sede, contou que já tinha pensado em sair do local onde reside, por não conseguir ter acesso a um bem natural e indispensável à vida: água. “Em muitos momentos, quis desistir e me mudar daqui. Foram anos de sofrimento, reclamações e solicitações na tentativa de ter o serviço regularizado, ver a água chegando a minha casa. Finalmente, este ano, conseguimos a benção de ter a água jorrando nas nossas torneiras, diariamente. Uma conquista que modificou o nosso dia a dia, trazendo melhorias para minha família”, comemorou Maria José, a Dona Lulu, como é conhecida.

A mesma felicidade é vivenciada pelos moradores do Alto da Boa Vista, também na sede. Depois de anos sofrendo com a falta de água, a marisqueira Genilza Maria de Oliveira comemora por abrir a torneira, em qualquer hora do dia ou da noite, e ter água. “Moro aqui há muito tempo, e nunca houve água nas torneiras como temos agora. Uma felicidade que é impossível descrever. Não tenho palavras para dizer o quanto mudou as nossas vidas. Só tenho a agradecer à prefeitura por ter olhado para a nossa região”, avaliou.

Compromisso do prefeito Marcos Santana, a regularização no abastecimento de água na sede do município já é uma realidade neste primeiro ano de gestão. O diretor-presidente do Serviço Autônomo de Água e Esgotos de São Cristóvão (Saae), Carlos Melo, explicou que o primeiro passo ao assumir o órgão foi planejar um cronograma de atividades diárias para regularizar a oferta de água aos sancristovenses.

“Assim que assumimos a administração do Saae, buscamos resolver a situação de abandono na qual se encontrava o sistema de abastecimento da cidade. Encontramos uma estrutura negligenciada pelas administrações anteriores, sem prestar manutenção adequada ou mudanças estruturais na rede de distribuição, o que resultou no desabastecimento de água e na oferta irregular dos serviços”, frisou Carlos Melo.

Eficiência no atendimento

Para solucionar o problema na Cidade Alta, região atendida pela Estação de Tratamento de Água (ETA) da Barragem do Muniz foram perfurados três poços, em parceria com a Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro). Hoje, a diretoria do Saae trabalha com uma margem de segurança, garantindo a regularidade do serviço para 15 mil pessoas.

Já na Cidade Baixa, cujo abastecimento é feito pela ETA do Rio Comprido, o problema era a existência de apenas uma bomba. Quando o equipamento quebrava, o abastecimento era interrompido. Atualmente, uma nova bomba já está em funcionamento, assegurando eficiência no atendimento à população – são assistidas cerca de 30 mil pessoas. “Agora, caso haja problema com uma das bombas, a outra continua o trabalho. Ou seja, dificilmente ocorrerá interrupção na distribuição da água, evitando transtornos para a população”, explicou Carlos Melo.

“Existe a possibilidade, inclusive, de ampliarmos a distribuição, porque a nova bomba pode captar 200 m³/hora de água- 30 m³/hora a mais do que hoje”, explicou Melo. O diretor do Saae informou também que o equipamento deve permitir uma economia de energia, já que, pelo volume de água captado, não haverá necessidade de funcionamento da bomba 24h para assegurar a regularidade no abastecimento.  

Segundo relatório emitido pelo Saae, a conclusão do balanceamento hidráulico entre captação/ tratamento e distribuição atingiu índice de 97% no abastecimento de água na Cidade Baixa e 93% na Cidade Alta, o que significa que, desde a regularização do abastecimento, praticamente não faltou água nas torneiras dos sancristovenses.  


Qualidade da água

Os laudos microbiológicos divulgados mensalmente pela Starteq, empresa júnior de Engenharia Química da Universidade Federal de Sergipe (UFS), atestam a boa qualidade da água ofertada pelo Saae. Este controle é fundamental para avaliar as condições higiênicas da rede de distribuição e dos reservatórios d’água. “Existe uma avaliação sistemática da água, com resultados mensais, o que nos assegura uma qualidade ainda melhor da água oferecida à população sancristovense”, explicou Melo.

Além do reforço da UFS no controle da qualidade da água, o Saae cumpre uma rotina diária de manutenção na estação de tratamento que distribui para a região da Cidade Alta, que inclui a limpeza dos filtros e a utilização de quatro elementos químicos no tratamento da água. Todo o processo segue as normas previstas pela portaria nº 2.914, do Ministério da Saúde, que dispõe sobre o padrão de potabilidade e os procedimentos de controle e de vigilância da qualidade da água para consumo humano. "Hoje trabalhamos com flúor, cloro, cal hidratada para regular o Ph e sulfato líquido, que é muito eficiente para garantir a qualidade da água”, informou Melo.

A proposta é que estes mesmos testes realizados pela UFS aconteçam, o mais breve possível, com a água fornecida pelo Rio Comprido, responsável por abastecer a Cidade Baixa. Ainda assim, Carlos Melo reitera que a água captada nesta localidade é de excelente qualidade, principalmente, quando não chove.
 

Tratamento adequado


“Vivemos hoje a seguinte situação: muitas vezes, quando chove, há a necessidade de suspender os serviços para a Cidade Baixa, porque não podemos fornecer uma água com a turbidez fora do padrão aceitável. Sempre que a interrupção ocorre, no entanto, os técnicos do Saae ficam de plantão, avaliando a qualidade da água e atuando para que o sistema volte a funcionar com a maior rapidez possível, minimizando assim os transtornos da população. O que elimina esses sedimentos é o uso do sulfato de alumínio, que só pode ser aplicado com uma estação de tratamento completa. Fora do período de chuvas, apenas a utilização do cloro já se faz satisfatória para o tratamento adequado”, disse o diretor do Saae.

A luta da atual gestão é pela conclusão da estação de tratamento, abandonada pelas administrações anteriores. “Faltam 30% para as obras serem concluídas e estamos buscando viabilizar as condições para executá-las. Existem emendas parlamentares em andamento, aguardando apenas os trâmites legais para liberação de recursos. Em paralelo, já estamos elaborando o projeto para efetuar esta obra", contou Carlos Melo.

Outro momento  

Para a aposentada Maria Celina dos Santos, que mora no Centro Histórico, os avanços da nova gestão municipal já são sentidas. “Antes a água tinha uma cor ruim, não dava para tomar banho, muito menos consumir. Nos últimos meses, notamos que a situação mudou de verdade. Temos água recorrente em nossas torneiras, até troquei o chuveiro e já tomo banho morno. Antes isto não era nem pensado”, disse.

A mesma opinião é compartilhada por Maria Edna, outra aposentada que mora nas imediações do Centro Histórico. “Hoje estou satisfeita com a água, porque sei que tem qualidade e não faltará. Nas vezes que realizam manutenções somos avisados da interrupção, e sabemos que isso é para melhorar ainda mais o abastecimento”, pontuou.

Ampliação da rede

O Saae iniciou também a ampliação da rede de distribuição de água na sede do município. Os trabalhos começaram pela na rua do Pomar, Cidade Baixa, onde foi substituída a tubulação da rua em uma extensão de cerca de 300 metros.
   
“Trocamos os tubos de 20 milímetros de diâmetro por outros de 60. Os que estavam instalados eram inadequados para suportar a pressão e o fluxo da água, causando rompimento e entupimento constantes na rede de distribuição”, avaliou Carlos Melo.  

O diretor do Saae disse ainda que a escolha daquela localidade para iniciar o serviço ocorreu a partir de um diagnóstico feito pelos técnicos do órgão, no qual foi detectada a reincidência do problema. “A comunidade vem sofrendo há mais de três anos com a situação. Chegou a tal ponto, que os moradores não podem tomar banho de chuveiro, porque a água não tem pressão suficiente. Realidade que estamos modificando ao oferecer um serviço de melhor qualidade aos sancristovenses. É um direito da população e um compromisso desta gestão", garantiu. Além da rua Pomar, houve a ampliação da rede nas seguintes localidades: Alto da Boa Vista, 500m; rua Etelvino de Oliveira, 300m; loteamento São João, 300m.

Silvan Alves de Oliveira é um dos moradores da Etelvino de Oliveira e comemorou o benefício. “O serviço aqui era uma coisa simples, só trocar a tubulação que tinha uma capacidade muito pequena, mas nenhuma gestão resolveu. Já ficamos 45 dias sem água. Estamos muito agradecidos ao prefeito e à equipe da Saae”. A dona de casa, Josefa Julião contou com alegria o que melhorou em sua rotina após o investimento. “Foi uma alegria sem tamanho voltar a tomar banho de chuveiro”.

Carlos Melo informou também que o levantamento das demandas continuará sendo realizado para que haja a ampliação gradativa da rede de distribuição de água na sede de São Cristóvão.


Zona rural
 
A dona de casa, Valdirene dos Santos Nascimento comemorou a chegada de água encanada no povoado Timbó, zona rural de São Cristóvão. Moradora da localidade há quatro anos, ela relembrou as dificuldades enfrentadas antes de o sistema de abastecimento ser implantado, cujas obras foram concluídas na última semana. “Era um sofrimento. Tinha que ir até a barragem (do Rio Poxim) e subir uma ladeira até em casa, com carrinho de mão e vasilhames de água. Eu realmente não acreditava mais que esta situação seria resolvida. O que vivo hoje, com a água chegando à minha casa, é um sonho realizado”, vibrou.

Garantir o acesso dos moradores do povoado Timbó a esse serviço público faz parte do projeto da Prefeitura Municipal de São Cristóvão, por meio do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), que está ampliando o sistema de abastecimento de água no município, inclusive, na zona rural. O diretor-presidente do SAAE, Carlos Melo, explicou que na localidade houve a instalação de pontos de água em 44 residências nesta primeira etapa. “Ainda colocaremos pontos em mais 20 casas, levando água de qualidade a todas as famílias do povoado Timbó”, disse. Até o momento, foram implantados 500 metros de rede, um chafariz e uma caixa d´água de mil litros na escola municipal da localidade.  O investimento foi de R$ 20 mil.

Além do Timbó, houve melhorias no sistema de distribuição de água dos povoados Prainha (Lar Esmeralda), Arame II, Colônia, Cardoso e Pedreiras, além do loteamento Jupiá. Há ainda estudos para ampliar o sistema de abastecimento do Projeto Casulo e Projeto Alto do Bernardo, além dos povoados Feijão e Aldeia.

Ação

Uma série de ações que acontecem regularmente para manter a água chegando até as torneiras dos moradores. Entre as quais, destacam-se:

- Montagem e manutenção corretiva da bomba de captação;

- Limpeza dos reservatórios das ETAs;
- Melhoria na qualidade da água fornecida, passando a aplicar o sulfato líquido no tratamento da água, cloro granulado, cal hidratada e flúor, aumentando à eficiência no tratamento;

- Levantamento cadastral do Parque Metrológico, com aplicação e substituição de hidrômetros dos consumidores potenciais, projeto piloto para desenvolvimento do plano de micromedição do município;

- Capacitação dos colaboradores do setor comercial e operacional  no treinamento  recuperação de faturamento, combatendo ligações irregulares e fraudulentas;
-Restauração, pintura e manutenção das ETAs e da sede do SAAE.

Fotos: Márcio Garcez/Danielle Pereira.


Genilza Maria de Oliveira
Carlos Melo
Sede do Saae
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Silvan Alves de Oliveira
Timbó
Valdirene dos Santos Nascimento